Dunkirk

Diretor: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Fionn Whitehead, Damien Bonnard, Aneurin Barnard
Gênero: Guerra
Orçamento: US$100.000.000

Nove meses após o início da Segunda Grande Guerra, 400 mil soldados do lado aliado estão acuados pelo exército alemão na pequena praia de Dunkirk. Enquanto aguardam por um pouco provável resgate, vivem sobre a pressão de um iminente ataque alemão. 

Essa é a história do tão esperado filme do aclamado Diretor Christopher Nolan. E pode-se dizer que é sua obra-prima. Lapidada com todos os requintes do gosto do Diretor, a extravagância exigiu: 4 mil coadjuvantes; navios e aviões reais; filmado in local; em IMAX; e sem grandes utilizações digitais e jamais em 3D. É com esse poder de barganha frente a Warner Bros, que o público verá esse trabalho cru, denso e de imersão.

Há dois grandes trunfos neste trabalho: a utilização do som é primordial. Quando um avião nazista aparece para bombardear os soldados na praia ou o mero estampido de um tiro ocorrem, a sensação, junto à imagem, é impactante. É um áudio tão limpo que nos leva à sensação da ameaça real. O segundo é Nolan reconhecer sua mão pesada nas autoexplicações de filmes anteriores, assim como problemas de montagem, e falhas em cenas de continuidade e coreografias. Em Dunkirk não há espaço para isso. Tecnicamente é um primor. Temos aqui uma apresentação com poucos diálogos e as cenas de ação são maravilhosas; realmente feitas com esmero. Os poucos cortes fazem com que se aproveite todo o esplendor da imagem. Essa experiência é digna de um espetáculo de cinema.

Para isso ocorrer, Nolan utiliza uma fotografia de paleta fria com tons azulado e esverdeado e cenas com muita de figura de linguagem (como as duas hastes representando a prisão daqueles homens na praia e enquadra diversas vezes cenas com profundidade e em direção ao mar aberto que é a salvação e barreira ao mesmo tempo). 


Por vezes Nolan parece se ver preso a essa concepção técnica. O uso da música contínua, obviamente é uma escolha do diretor. Mas há diversos momentos no filme que sua retirada deixando apenas o som ambiente trariam melhor experiência ao público. 

Nolan conquistou merecidamente seu lugar entre os grandes diretores. Comparações e afirmações de que ele é o novo Kubrick não passam de discussões rasas. A verdade é que com competência e apuro, Nolan consegue hoje triunfar frente a um mercado cada vez mais digital, preso a soluções convencionais e que se esquece do sentido de arte em para só entreter e fazer a máquina de dinheiro girar.

Seu objetivo de buscar a imersão do público em um filme retirando todos os maneirismos possíveis, se concretizou. Esta é a melhor obra do Diretor neste sentido.

Sem protagonista

A Guerra é contabilizada por números: de baixas e de sobreviventes. Os heróis são acasos do que um dos lados quer mostrar. Ao escolher não ter heroísmo e não trabalhar personagens com maior profundidade, há de se reconhecer o risco no filme. A história é focada neste evento específico e o drama está na sensação de abandono e iminente morte para quase 400 mil homens presos em uma praia.

A narrativa não corre de forma linear. Uma mesma cena pode ser vista de ângulos e por personagens diferentes. Em terra, acompanhamos Tommy (Fionn Whitehead) tentando todas as formas de sair daquele lugar; no céu, Farrier (Tom Hardy) perseguindo caças inimigos para proteger os navios de evacuação; e no mar, Mr. Dawson (Mark Rylance), um civil que tenta ajudar na retirada de alguns dos homens presos na praia. Cada uma dessas histórias é fragmentada e o ápice é convergir elas dentro do seu próprio tempo.

Hanz Zimmer, parceiro de Nolan nas trilhas, tem seu serviço utilizado de forma fundamental. Sua música é contínua e o crescente dela traz tensão em diversos momentos. 

O mérito de Nolan está em tentar fazer algo diferente, utilizando o melhor tipo de imagem e som, levando ao espectador uma experiência única, principalmente, numa sala de cinema IMAX. Independente de gostarem ou não de seu trabalho, ele tem conseguido fazer trabalhos relevantes nesse universo aprofundando a linguagem cinematográfica numa Hollywood cada vez mais pragmática. 





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