Os Meninos que Enganavam Nazistas

Título Original: (Un Sac De Billes)
País: França, Canadá, República Tcheca
Diretor: Christian Duguay
Roteiro: Jonathan Allouche (história original), Christian Duguay (adaptação)
Elenco: Dorian Le Clech, Batyste Fleurial, Patrick Bruel
Gênero: Drama; Guerra.

Baseado no livro homônimo, de 1973, e numa história real que se passa na Segunda Guerra quando ocorre a ocupação nazista na França. Retrata a vida de uma família judia francesa que vive em harmonia até a invasão. É quando os pais dos jovens irmãos Maurice (Batyste Fleurial) e Joseph (Dorian Le Clech) planejam uma rota de fuga em separado para os alemães não desconfiarem.


Visão francesa do ocorrido, a obra do Diretor Christian Duguay é mais emotiva e baseada no aspecto da separação da família e, claro, no pleno desapego. Com o decorrer da história, notamos que Joseph cada vez ganha mais espaço em cena e, diga-se, merecidamente. Carismático, o ator mirim consegue equilibrar o choro do desespero de se separar da família em uma viagem, com a vivacidade infantil, o riso fácil com o irmão e a esperteza daquele que aprendeu na pele como se virar.

Junto com o irmão Maurice, formam uma excelente dupla, seja nos diálogos quando brincam ou quando combinam de inventar uma nova identidade a fim de escaparem do inimigo. Há um pequeno romance no filme que parece fazer com que um dos irmãos amadureça muito rápido. Aliás, esse é um aspecto negativo: em momento algum é informado os ocorridos de forma temporal. No filme, a Guerra parece passar em semanas. As crianças não crescem e não envelhecem. Elas amadurecem através de suas atitudes diferentes, mas neste contexto, torna-se inverossímil.

O início do filme é bem executado. Apresenta-se a realidade de uma vida normal judia ante da invasão. Então a tensão vai aos poucos dominando a história. Contudo, há uma mudança  de tom para o público acompanhar a aventura dos irmãos, que sozinhos devem reencontrar os pais em local combinado. A tensão diminuiu muito junto com o ritmo da narrativa; parece que estamos vendo outro filme. E, novamente, sem qualquer contextualização temporal. Por exemplo: seria muito importante o espectador saber quanto tempo os filhos ficaram separados dos pais justamente para o elo emocional ser melhor compreendido.

No último arco do filme, ambos os irmãos trabalham. Pelas atitudes, parecem ter amadurecido bastante. O filme tenta retornar a tensão quando de forma tímida retrata o papel das milícias francesas que auxiliam os nazistas na busca por judeus. Mas o Diretor perde-se ao introduzir, ao mesmo tempo, a paixão de um dos irmãos pela filha do seu empregador pró-hitler.

A Guerra é sutil com menos sangue, menos explosões e focado nessa pequena jornada pelo reencontro da família. Por vezes, tem-se um tom de heroísmo em algumas cenas como na da barbearia. Nazistas vão ali cortar o cabelo, justo em um local frequentado por judeus. Toda a ambientação tensa é perdida quando o pai dos meninos resolve se revelar judeu, como numa afronta heroica. Esses deslizes ocorrem algumas vezes. Mas não se pode esquecer que para um país que conta sobre sua invasão e milhares de perdas de vida, adotar esse tipo de tom eleva o orgulho para os que realmente vivenciaram isso.

Interessante também, é como o filme retrata os padres da época. Muitos se colocavam em risco para salvar crianças. Maurice e Joseph foram salvos duas vezes. E sua gratidão é mostrada de forma genuína.

O autor do livro é Joseph Joffo, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial. Por isso o filme é centrado no personagem. O livro foi publicado em 1973 e é um best-seller. Com o título Un Sac de Billes (Um Saco de Bala), referência às bolinhas de gude, mal explorado no filme. Esta é a segunda adaptação para o cinema; a primeira aconteceu em 1975.




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