O Destino de Uma Nação

Título Original: Darkest Hour
Direção: Joe Wright
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn
Gênero: Biografia, Histórico, Drama Orçamento: US$ 30 milhões
Filme trata de um recorte da história no ano de 1940 quando Winston Churchill (Gary Oldman), tornou-se Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha até convencer o Parlamento a lutar contra os nazistas na segunda guerra.

Centrado na figura de Churchill, a performance de Oldman já lhe valeu o Globo de Ouro e o Critics' Choice Awards de melhor ator. Apesar de irreconhecível, devido ao excelente trabalho de maquiagem, Oldman nos apresenta em um primeiro momento um homem com seus maneirismos e imprudências, que vive em discussões irônicas com sua mulher Clemmie (Kristin Scott Thomas). Seu gesto corporal ao fumar, beber, descansar a mão no terno e a forma de falar são elementos que preenchem e enaltecem a atuação do ator.

Porém as cenas em que Churchill interage com outros personagens são mal exploradas, executadas e digna de preguiça de roteiro. É tão lamentável que se Kristin fosse retirada do filme, em nada iria abalar a história. Assim como os diálogos com sua secretária Lily James, interpretada por Elizabeth Layton. Em nada acrescenta ao filme. Inclusive, esse é um artifício utilizado pelo Diretor, em que Layton serve para modelar a percepção dos fatos como se aos olhos da população fosse. E Lily realmente trabalhou com o Premier, mas a partir de 41.

A obra só engrena e torna-se interessante da metade para o fim. O drama da Guerra com a aproximação nazista à ilha inglesa deixa o Parlamento britânico em polvorosa com muitos sendo adeptos de um acordo de paz, algo que Churchill é contrário.

Novamente, a batalha de Dunkirk, intitulada de Operação Dynamo, é explorada no cinema em um curto espaço de tempo. Christopher Nolan tratou do assunto em seu magistral filme em 2017, e agora o público tem a perspectiva dos bastidores e o entendimento de como toda as alas política e militar do Reino Unido sentiam-se ameaçadas por Hitler. Em Dunkirk, mais de 300 mil militares britânicos estavam acuados podendo ser dizimados a qualquer momento. Historiadores consideram esse o maior erro estratégico de Hitler na Guerra, pois o ato não se consumou.

Porém, a obra do Diretor Joe Wright não consegue extrair os momentos dramáticos quando se faz necessário. Para salvar Dunkirk, Churchill instruiu que quatro mil homens resistissem o quanto pudessem para atrasar os alemães. Essa decisão fria e questionável que resultou em tantas perdas de vidas é explorada com uma simples passagem.

Churchill, em determinado momento, apesar de ser uma figura tão emblemática, se vê perdido devido ao avanço nazista e à falta de apoio dos seus pares. É quando temos uma solução simplista após uma conversa com o Rei George VI (Ben Mendelsohn) e uma cena que pode-se definir como ridícula que ocorre no metrô.

Há elementos que tornam o filme interessante: Gary Oldman obviamente. Além da caracterização, seu discurso ao Parlamento, a forma como se expressa e titubeia em meio às ideias é incrível. É tão verossímil que vale conferir o discurso real. A fotografia realista de Bruno Delbonnel remete à claustrofobia e a ambientes fechados e escuros que submete à ideia de pressão que Churchill sofria internamente e ao sentimento de impotência frente aos alemães.

O tom do filme se perde pela falta de um drama contundente. Inicia uma apresentação de Churchill em tom cômico que tende a ganhar força dramática. O grande problema é que Oldman faz isso sozinho lutando contra um roteiro fraco.



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