O Insulto

Título original: L'insulte
Direção: Ziad Doueiri
Roteiro: Ziad Doueiri, Joelle Touma
Elenco: Adel Karam, Rita Hayek, Kamel El Basha
Gênero: Drama
Orçamento: US$: 3 milhões
Estreia: 08/02/2018


Beirute. Após um insulto, Toni, um cristão libanês, e Yasser, um refugiado palestino, irão se indispor até levar o caso para o Tribunal. Longa indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2018, é o primeiro de origem do Líbano a concorrer.

A discussão devido a uma calha estragada pode gerar um grande conflito. A partir disso, o Diretor Ziad Doueiri consegue transformar um desentendimento em uma grande discussão sobre os conflitos no Líbano. Para esse elemento funcionar a narrativa centraliza em duas figuras: um cristão libanês e um refugiado palestino.

Toni (Adel Karam) é o libanês cristão, que trabalha como mecânico de carros e aguarda o nascimento do primeiro filho. Um dia ao lavar a sacada de casa, a água acaba escorrendo e molhando Yasser (Kamel El Basha), palestino refugiado que trabalha de forma ilegal como mestre de obras. A partir disso, há ofensas mútuas que irão desencadear em um litígio judicial.

O mérito do filme está em seu roteiro que destrincha, aos poucos, as reais motivações para o desentendimento entre os dois homens. Se no início o espectador escolheu um lado para torcer, logo se surpreenderá com o desenvolvimento da história.

Outro recurso muito adequado encontrado pelo Diretor foi utilizar dois personagens advogados. Acusação e defesa irão aprofundar e dar uma aula sobre o conflito histórico no Líbano. E mostrarão como cada cidadão vive à mercê de atrocidades cometidas por palestinos e libaneses ao longo dos anos.

Há um cuidado muito grande por parte de Ziad em manter um equilíbrio nesta discussão sem cair no mero discurso radical e sem tomar parte de um dos lados. O objetivo é fazer com o que o espectador entenda o quão complexo é o contexto em que vivem os dois personagens. Interessante é que mesmo assim, há uma decisão por parte do Tribunal.

Dentro deste universo, cabe pouco espaço para cômico. Mas quando ocorre é muito bem-sucedido. Alivia a tensão do drama e, em determinado momento, estabelece conexões na narrativa que agradarão aos mais atentos a sutilezas.

Toni e Yasser têm desempenhos bons. Um mais explosivo, outro mais lacônico. Para fugir do caricatural, o roteiro criou momentos interessantes em que os dois verão semelhanças entre eles na forma de pensar e agir. São pequenas amostras que servem de reflexão entre a divergência e a compreensão.

Honra, política e guerra: tudo vai relacionando-se. Com o início da cobertura do caso pela imprensa, a questão política ganha relevância. E assim, alguns interessados irão tentar explorar o fato acirrando os ânimos de todos aqueles que de alguma forma vivem acorrentados ao passado.



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