Pantera Negra

Título Original: Black Panther
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler, Joe Robert Cole
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o
Distribuidora: DISNEY / BUENA VISTA
Gênero: Ação; Aventura
Orçamento: US$ 200 milhões
Estreia: 15 de fevereiro
O Diretor Ryan Coogler (Creed de 2016) consegue em Pantera Negra entregar um trabalho que vai além de ação e aventura, inserindo elementos e temas significativos e atuais. Após a morte do rei T'Chaka (John Kani), o príncipe T'Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. O primeiro objetivo será encontrar Ulysses Klaue (Andy Serkis) que roubou vibranium, tecnologia usada em Wakanda.

Apesar de algumas quebras de ritmo, a narrativa prende o público. A apresentação de Wakanda é imponente e realista. O maior trunfo do Diretor é a riqueza com que conta a história dos personagens. Todos conseguem ser carismáticos, interessantes e realmente possuem um objetivo crível. Outro ponto positivo, que todo bom diretor sabe, é que para fazer um bom filme render se faz necessário que o herói tenha um vilão à altura. E isso é satisfatório em Pantera Negra.

No mundo de Wakanda há uma comunidade extremamente avançada em tecnologia e um reino de guerreiros. O gênero da palavra engloba sim mulheres. Elas são fortes, geniosas, opinativas, participam efetivamente da vida do Rei e lutam tão bem juntas que lembram até algumas amazonas. Okoye (Danai Gurira) é a chefe da guarda; Shuri (Laetitia Wright) a irmã de T'Chak; e Nakia (Lupita Nyong'o) a espiã da realeza. Todas possuem bons arcos e despontam em cena.

No reino existem cinco tribos e, no decorrer da história, vê-se quem nem todas estão satisfeitas com a escolha do novo rei. A partir disso, o filme pincela o assunto política quando a nova gestão deverá optar por abrir ou não suas fronteiras, o perigo que isso pode acarretar e qual seria a melhor forma de proteger o povo local e como ajudar aqueles menos afortunados. O público assiste a um filme de ação que introduz temas atuais e complexos como a situação com as minorias, o racismo, a presença do homem branco colonizador e a relação entre tribos diferentes. Ou seja, temos em Wakanda um pequeno retrato da África e tudo isso é falado ou mostrado. Sem aprofundar esses temas, há de se ressaltar positivamente a presença deles.

O primeiro e segundo atos do filme são os melhores. O que fortalece o trabalho de Coogler é que de forma inteligente ele muda o rumo da história e constrói um vilão com certo carisma e, principalmente, que o público compreenderá suas razões que são muito convincentes inclusive. É um vilão que gera grande expectativa. Dito isso, não se pode esquecer que este é um filme da Marvel. Seu padrão está lá e estabelecido. Com certeza, é a obra mais corajosa do estúdio. Mas... Se o herói tem um legado para construir, o vilão perde toda a narrativa instigante inicial para cair na pura e simples ação.

O longa apresenta problemas com cenas de luta no escuro. Além dos efeitos visuais carregados, não se tem a real compreensão do que ocorre na tela. Em 3D é uma confusão. Outra questão é com a sensação de grandeza de Wakanda. Após apresentada, ela é pouco explorada. Em determinada batalha por exemplo, não aparece absolutamente nada da cidade, apenas um campo aberto.

A excelente cena do cassino é o momento em que se vê a real mão do Diretor: é bem construída, dinâmica e usa a câmera de forma contínua. A trilha sonora tem ritmo e caracterização africana e é oportuna . O sotaque criado para os nativos de Wakanda é outro aspecto positivo. Tudo é facilitado pelo elenco formidável: Chadwick Boseman, Lupita Nyong'o, Danai Gurira, Daniel Kaluuya, Letitia Wright. Andy Serkis faz um vilão canastrão. Sterling K. Brown tem poucos minutos em tela mas é marcante marcante. Quem destoa totalmente é Martin Freeman; é o erro crasso: não cativa, não é interessante e aparece apenas para tapar buraco.

A desilusão com a obra de Coogler é quando se opta pelo formato padrão de puro e simples maniqueísmo. O filme “diferentão” que todos confiavam na sala de cinema estava prestes a acontecer. Até vir o terceiro ato; é quando se vê mais do mesmo. No entanto, é importante ressaltar que Pantera Negra trouxe mais benefícios ao universo cinematográfico da Marvel do que qualquer outro herói. Com excelentes críticas lá fora e por aqui sendo muito bem aceito. O filme diverte; mas o mais interessante é o real debate nas entrelinhas.

*Há duas cenas pós-créditos.



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