Um Lugar Silencioso
Título Original: A Quiet Place
Direção: John Krasinski
Roteiro: Bryan Woods, Scott Beck e John Krasinski
Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Noah Jupe
Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Noah Jupe
Distribuidora: PARAMOUNT PICTURES
Gênero: Drama, Terror, Suspense
Orçamento: US$ 17 milhões
Estreia: 05/04
Dirigido e protagonizado por John Krasinski , ele apresenta ao espectador uma obra corajosa. É um filme com poucos diálogos e, por isso, exige maior conhecimento técnico por parte do executor para a mensagem chegar corretamente ao público. Impressiona de forma positiva como Krasinski extrai o aspecto emocional dos personagens, dando realismo e naturalidade às cenas.
O início é emblemático. Crianças correm e um adulto anda em um ambiente fechado. Todos descalços. Já se compreende a importância de não fazer barulho, mas não se sabe o porquê. Quando Lee (John Krasinski) aparece para encontrar a família, seu filho mais novo quase derruba um brinquedo. Todos ficam apreensivos. Ao saírem do estabelecimento, a câmera fecha em uma capa de jornal em que está escrito: “Eles conseguem nos ouvir”.
É com este marco que se abre a história. Com poucos minutos e sem narrativa de apresentação, o público é inserido em um universo de tensão de forma perfeita. A fotografia, o silêncio e as expressões dos personagens complementam a angústia. Evelyn (Emily Blunt) é a mãe de Marcus Abbott (Noah Jupe) e da interessante Regan Abbott (Millicent Simmonds). Ela é deficiente auditiva e é um elemento chave no filme. E, claro, é muito interessante ver como o Diretor usa o artifício de uma deficiência que, em um ambiente como o apresentado, pode ser uma grande vantagem de sobrevivência. Ou não. Na sequência, um acontecimento de impacto irá gerar um drama na realidade dessa família. É funcional até o arco final.
A construção da obra aliada a um bom jogo de câmera e uma narrativa instigante prendem a atenção do espectador. Por isso, deve-se enaltecer o trabalho do Diretor. Para realizar tal tarefa é necessário sair da zona de conforto. Com poucos diálogos e sem usar excessivamente cacoetes de suspense, exige-se criatividade. Os acertos na montagem e no arco interessante dos personagens também justificam as críticas positivas.
A música/trilha/som é o elemento mais trabalhado na obra. Neste quesito, percebe-se com mais nitidez os momentos que Krasinski perde a mão. Há passagens que seriam mais interessantes se continuassem sem som, exatamente como no início do filme. Exemplo é o artifício de elevação do som para gerar sustos.. Há um momento específico em que a trilha é efetiva e funcional, complementando uma bela cena. É perceptível o duelo do Diretor de ser original tendo de ser também comercial. Mas são nesses momentos “em cima do muro” que o filme perde impacto. Às vezes soando piegas ou sendo simplório no roteiro.
As pequenas escorregadas não desmerecem este interessante filme. Para quem busca fugir do terror convencional, este sem dúvida irá agradar. Por tudo que se apresentou, ficou a sensação de quero mais.
*Michael Bay é um dos produtores do filme e, talvez, isso justifique alguns excessos.


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