Hereditário

Título Original: Hereditary
Direção: Ari Aster
Roteiro: Ari Aster
Elenco: Toni Collette, Gabriel Byrne, Alex Wolff
Distribuidora: Diamond Films
Gênero: Terror, Drama
Orçamento: US$ 10 milhões
Estreou: 21/06/2018

Orçamento baixo. Mais um filme de terror. Criança estranha. Diretor estreante. São elementos que somados colocariam Hereditário como baixa expectativa no circuito comercial. Eis que uma surpresa ocorre. Com um domínio de câmera peculiar, o Diretor americano Ari Aster consegue fazer um drama familiar ser um retumbante suspense.

Com uma narrativa não convencional, o que pode incomodar alguns espectadores, o público é jogado em diferentes caminhos até que, no último ato, descortina os verdadeiros componentes da história. Uma dica para melhor compreensão da obra é concentrar-se na personagem de Annie Graham (Toni Collette em um dos melhores papéis da carreira). Ela é o fio condutor da trama e revela os dramas como o histórico de doenças mentais da família, sua dificuldade de relacionamento com a mãe e as diferentes formas de criação que seus filhos tiveram. Os diálogos dela são importante e fonte de revelação no decorrer da obra.

Após a morte da sua mãe, quem mais sente falta dela é a hipnotizante e estranha Charlie (Milly Shapiro). A garotinha tem presença constante no primeiro ato e cenas impactantes. Ela é muito amada por Annie, apesar de ter ficado aos cuidados da avó. Peter (Alex Wolff) é o irmão mais velho de Charlie, típico adolescente introvertido e que gosta de passar alguns momentos fumando maconha. Ele tem uma relação estremecida com a mãe. Cabe ao pai Steve Graham (Gabriel Byrne) tentar manter a família em equilíbrio. Seja como pai amoroso ou como marido compreensivo.

No segundo e interessante ato, o Diretor maneja a narrativa para o drama familiar. Entende-se assim a complexidade de convivência daquela família, suas dores e brigas e como Annie pode ser instável emocionalmente. O personagem de Peter cresce em cena e, de forma inesperada e positiva, na interpretação. Com essa atmosfera envolvendo tensão e drama, o público imerge no longa de forma  crescente. O Diretor invariavelmente conduz o espectador a caminhos de pouca certeza, inserindo continuamente dúvidas sobre a real situação daquela família, aumentado a curiosidade.

O terceiro ato é revelador. Porém, peca em ser expositivo. Talvez com medo da interpretação subjetiva, o filme tenta se explicar mais de uma vez. Perde o efeito de aflição e tenta amarrar as pontas. Essa quebra de estrutura é tão abrupta que é possível perder interesse na continuidade da história e da moral plausível e figurativo no seu final. Mas a obra como um todo merece atenção.

O crescimento da narrativa, o desenvolvimento dos personagens e a apuração técnica de câmera e fotografia, fazem esse filme ser muito mais que interessante. O movimento de câmeras com os cenários bem construídos enriquecem o trabalho como um todo e aproveita elementos de modo construtivo. Há transposições, profundidade e planos excepcionais. Mesclando o belo e funcional. O início do longa com as miniaturas é um bom exemplo. A fotografia com sombras, maravilhosa. A trilha também tem um papel fundamental para criar o ambiente desejado. Uma boa experiência para fugir do convencional.



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