Ilha dos Cachorros
Título Original: Isle of Dogs
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Jason Schwartzman, Kunichi Nomura
Elenco: Koyu Rankin, Bryan Cranston, Edward Norton
Distribuidora: Fox Film
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Orçamento: Não Informado
Estreia: 26/07/1018
Wes Anderson está de volta. Tempos depois do excepcional Os Excêntricos Tenenbaums (2001), o novo trabalho do Diretor mescla sua experiência de stop-motion de O Fantástico Sr. Raposo (2009). Ilha dos Cachorros é uma animação de tom irônico e melancólico com uma junção crítica à intolerância e perseguição às minorias. Atari Kobayashi (Koyu Rankin) é um garoto japonês de 12 anos de idade e, ao tornar-se órfão, sua guarda ficou com o prefeito ditador Kobayashi (Kunichi Nomura). Com a desculpa de acabar com uma epidemia, o político aprova uma lei que proíbe os cachorros de permanecerem na cidade Megasaki junto aos cidadãos. Todos os animais são enviados a uma ilha vizinha e “descartados” junto ao lixo. Atari não aceita a separação do seu cachorro Spots. Usando um jato em miniatura, ele vai até a ilha e parte em busca de seu fiel amigo.
Se houvesse o anúncio deste filme sem a divulgação de quem é o Diretor, descobriria-se isso rapidamente após o início do longa. As características de Wes Anderson são muito marcantes. A começar pela narrativa de apresentação, pelos silêncios constrangedores dos personagens sempre que algo repentino acontece, pelos enquadramentos e pela estilização do seu trabalho. E pelos excessos também.
Há muita informação em cena. Pode-se confundir facilmente como riqueza de elementos, mas como há um ritmo empreendido de velocidade e diálogos muito ágeis em sequência, por vezes isso torna-se cansativo e desprende o público da história. Há um arco central interessante, interrompido diversas vezes de forma desnecessária. Assim como o pouco desenvolvimento de algumas situações, que ao menos serão resgatadas adiante.
Este é sim um bom filme e um trabalho executado por Anderson com excelência. Mas seu tipo de roteiro tende a não cativar o público com personagem. E sente-se falta dessa ligação aqui. Em determinado momento do filme, até prefere-se que Atari realmente não encontre o guardião Spots e estabeleça uma relação de verdadeira amizade com o vira-lata Chief (Bryan Cranston).
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| O olhar dos cães é cuidadosamente trabalhado no longa |
Há certos elementos de narrativa inseridos pelo Diretor que são interessantes. O filme ocorre em dois idiomas: quando fala-se na língua japonesa, jamais ocorre legenda. O recurso usado é a compreensão através do contexto cinematográfico (aqui, o espectador é colocado na incômoda situação dos cães que não entendem o que diz Atari) e quando é um discurso formal, há uma tradutora para o inglês. Isso não afeta a narrativa negativamente, pelo contrário. A relação de intimidade, de subordinação e de respeito se dá através de outras formas. E aí está o mérito e a real história deste filme. Cena ímpar a que Atari atira um pedaço de madeira sob protesto de Chief. O que resume bem a construção dessa relação.
A história não deixa de surpreender. É um final elegante e com boas viradas. Contudo, infelizmente, a falta de uma melhor construção de alguns arcos e o esquecimento de personagens em meio aos acontecimentos, tiram o brilhantismo do longa.


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