BACURAU

Título Original: Bacurau
Direção: Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles
Roteiro: Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles
Elenco: Udo Kier, Sônia Braga, Karine Teles
Distribuidora: VITRINE FILMES
Gênero: Suspense
Orçamento: R$ 8 milhões
Estreia: 29/08/2019

Filme Bacurau
Sinopse: Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.

O filme nacional mais falado de 2019 enfim estreou. Prêmio do Júri no Festival de Cannes em maio deste ano, Bacurau* recebeu grande atenção de críticos, cinéfilos e fãs do Diretor Kleber Mendonça Filho (Aquarius - 2016) que desta vez codirige com Juliano Dornelles.

Indiscutível que Bacurau é uma obra, no mínimo, diferente. A primeira parte retrata a cidade com nome homônimo ao título e seus habitantes. O estilo de vida simples na comunidade, a problemática da falta de água e cada um dos membros sociais e importantes que, de alguma forma, fazem a “cidade viver”. Mas é com pouca sutileza, que os Diretores criam rupturas narrativas interessantíssimas a fim de tirar o público da zona de conforto. 

O próprio início do longa já apresenta indícios de como será trabalhado o suspense. Quando Teresa (Barbara Colen) está no carona do caminhão pipa rumo a Bacurau e vê na estrada um acidente fatal, é o retrato que o perigo está presente e pode ocorrer a qualquer momento. Na cidade em si, alguns diálogos e cenas demonstram que as pessoas que ali vivem possuem uma grande união e compreensão uns com os outros. A ausência de pudor também é evidente, não sendo gratuito e  tendo relevância para a história.

Após a visita de um casal de motoqueiros trilheiros, há uma grande reviravolta no longa e o foco e narrativa passam a acompanhar essa dupla. Neste momento, a cidade deixa de ser protagonista para virar uma área sob ataque. O suspense, atrelado à violência e terror, se sobrepõe. E o público é presenteado praticamente com um novo filme. 

Cena do filme Bacurau
Teresa e outros acenam com lenço branco

Quando as duas pontas se entrelaçam temos o clímax. O trunfo está em como Mendonça e Dornelles conseguem retratar em poucos minutos tão bem o sertão desde a simplicidade até a carência de apoio político. E a partir disso, introduzem um novo gênero de forma linear, criativa e com muitas referências cinematográficas. Há, inclusive, uma passagem totalmente tarantinesca a qual impacta pelo inesperado.

É possível realizar dezenas de analogias a partir desta obra. São muitos assuntos tratados como  invasão de terra, corrupção, violência injustificada, preconceito, racismo, porte de arma e questões sociais. Tudo isso com o retrato do sertão muito presente.

Bacurau pode não ser uma obra-prima do Cinema Brasileiro, mas satisfaz em alto nível. Foge do convencional com um roteiro surpreendente e uma montagem eficiente. Fotografia e som são  trabalhos excepcionais. Mendonça e Dornelles entregam um trabalho de visão, sempre um passo à frente da expectativa do público. O resultado de excelência vem do mérito e da competência e por isso Bacurau foi premiado e é o grande filme nacional até o momento.

*Bacurau, o pássaro: O bacurau tem na noite a sua principal rotina. Essa espécie costuma viver no chão, onde facilmente se camufla em meio às folhagens. Durante o dia, o pássaro é avistado apenas quando se espanta e, só assim, voa a curtas distâncias para fugir do susto. Fonte: Portal dos Animais.



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