CORINGA

Título Original: Joker
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Todd Phillips, Scott Silver
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz
Distribuidora: WARNER BROS. PICTURES
Gênero: Drama, Suspense
Orçamento: US$ 55 milhões
Estreia: 03/10/2019


Cartaz do Filme CORINGACoringa, do diretor Todd Phillips, é uma história original e fictícia. A versão cinematográfica mostra um homem lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham. Preso em uma existência cíclica, oscilando entre a realidade e a loucura, Arthur toma uma decisão equivocada que causa uma reação em cadeia, com consequências cada vez mais graves e letais, nesta exploração ousada do personagem.


Resumo do longa do Coringa: que performance monstruosa de Joaquin Phoenix! É com ponto de exclamação que se finaliza a frase anterior para ilustrar o que esse ator fez no papel de Joker. É uma atuação tão real e intimista que não há espaços para maneirismos. Phoenix acerta em todos os pontos e tons. Ele lapidou seu personagem para chegar à transformação sem qualquer descaracterização. Incrível.


Muitos críticos afoitos dizem que o Diretor Todd Phillips entregou o papel a Phoenix e deu um “boa sorte” a ele. Como se toda a condução da obra dependesse do ator. Obviamente, a liberdade para atuar é visível, contudo, o roteiro sem cacoetes hollywoodianos e uma direção competente à qual entendeu que excessos poderiam comprometer o objetivo final, ajudaram e muito a Phoenix entregar com alta qualidade o papel. 


A fotografia oitentista do filme é precisa. As inspirações em Taxi Driver (1976), O Rei da Comédia (1982), Laranja Mecânica (1971) e Um dia de Fúria (1993) ilustram o universo em que Arthur Fleck (J.P.) está inserido. Um ambiente degradante, sujo e imundo, com desemprego em alta, uma sociedade marginalizada e controlada pela casta rica, unida a políticos que parecem pouco se importarem com as questões sociais. É nesse ambiente opressor que Fleck vive uma luta diária para se manter “vivo”. Se Penny Fleck (Frances Conroy) é a mãe de que tanto cuida e Sophie Dumond (Zazie Beetz) um amor inesperado, a vida de Arthur é uma montanha russa de emoções que pode  afundar por completo a qualquer momento.


Phillips não faz uma obra-prima. Mas no que diz respeito à construção de um personagem, é realmente impressionante. O ritmo cauteloso consegue explorar pontualmente todos os eventos que vão minando Arthur. A transformação que ocorrerá começa pelos pés. Ali, está a base de um comediante vulnerável. As pernas demonstram o nervosismo. O jeito cabisbaixo de caminhar, a dança gesticulada com as mãos, o sorriso triste, a gargalhada perturbadora* o olhar distante, até chegar à mente perturbada. E tudo é mostrado sem desconstruir Arthur Fleck. Isso é possível graças Joaquin Phoenix entender e compreender por completo o personagem e Todd Phillips se manter contido, atrelado a um roteiro muito bem costurado.


Joaquin Phoenix é o Coringa
Ele nasceu para brilhar


A trilha sonora do início ao fim é uma marcha fúnebre. Constante, ritmada, incômoda. Ela acompanha a morte de um cidadão insano e o surgimento de um símbolo subjetivo que terceiros podem utilizar para uma luta contra os opressores. Arthur não consegue expressar suas ideias e sentimentos, sendo esses interpretados por terceiros Ele não se impõem. Não se faz crer. E desta forma surge a violência para falar por si. É uma pequena virada de chave mental que poderá  tornar uma pessoa quase no fundo do poço, a agir de forma extrema.


Nos Estados Unidos o filme tem sido alvo de grandes discussões sobre a questão da violência gratuita, principalmente devido aos massacres que ocorrem invariavelmente por lá. Joker não parece baseado em qualquer universo de HQ. É justamente esse o ponto. Um filme que deseja falar sobre um lobo solitário com roupa de palhaço levado a apertar o gatilho graças a uma sociedade que julga  hipócrita. Qualquer filme que cause desconforto e discussões já é válido por si só. Com a performance de Joaquin Phoenix atrelada a um marketing agressivo, Coringa se potencializou de uma forma indescritível. Com um orçamento modesto para os padrões americanos, Joker não parece levantar uma bandeira de banalização a mortes banais. Mas toda numa ferida aberta da sociedade norte-americana. No âmbito cinematográfico, é um filme memorável em detrimento a tantos outros esquecíveis. 


* O personagem sofre de riso patológico, um distúrbio neurológico que faz o indivíduo rir incontrolavelmente em momentos inapropriados.
** O filme foi premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza deste ano. 




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